O Brasil se consolidou como o principal polo de infraestrutura digital da América Latina. Segundo o JLL Latin America Data Center Report, o país concentra 48% de toda a capacidade instalada da região e responde por impressionantes 71% de toda a infraestrutura atualmente em construção. Impulsionada pelo avanço da inteligência artificial e da computação em nuvem, essa expansão representa uma das maiores oportunidades econômicas do país nas próximas décadas, e coloca a agenda de sustentabilidade no centro da decisão.
Os números que provam a liderança brasileira
O crescimento do setor em 2025 foi histórico. A América Latina registrou a entrega de 184 megawatts (MW) de nova capacidade em data centers do tipo colocation, superando o recorde anterior de 141 MW registrado em 2022. E o Brasil liderou esse movimento com folga.
O panorama atual é expressivo:
- 204 data centers em operação no país;
- R$ 60 bilhões a R$ 100 bilhões em investimentos projetados até 2029;
- US$ 3,4 bilhões em gastos com implementação de IA previstos para 2026, crescendo acima de 30% ao ano;
- A Microsoft inaugurou dois data centers de IA no Brasil em fevereiro de 2026, com investimento de R$ 14,7 bilhões;
- O mercado brasileiro de infraestrutura de hospedagem deve atingir US$ 1,7 bilhão em 2026, crescimento de 18,1% sobre o ano anterior.
Globalmente, a capacidade instalada de data centers deve dobrar até 2030, de 103 GW para 200 GW, com investimentos projetados de US$ 3 trilhões nos próximos cinco anos. O Brasil está bem posicionado para capturar uma fatia relevante desse mercado.
Por que o Brasil atrai esse volume de investimentos
A combinação de fatores que posiciona o Brasil como hub de data centers vai além do tamanho do mercado consumidor. Três elementos se destacam:
- Energia renovável abundante: a matriz elétrica brasileira, com quase metade composta por fontes limpas, é um diferencial competitivo real para hyperscalers globais que têm metas agressivas de neutralidade de carbono;
- Conectividade estratégica: o Ceará, por exemplo, concentra 18 cabos de fibra óptica submarinos, tornando-se um nó crítico de conectividade entre América do Sul, Europa e América do Norte;
- Estabilidade geopolítica e mercado interno de escala: o Brasil oferece previsibilidade regulatória e um dos maiores mercados consumidores digitais do mundo.
O Nordeste, especialmente, surge como destino estratégico para novos projetos: energia renovável em excesso, custo competitivo e infraestrutura de conectividade de ponta.
O problema ambiental que precisa ser endereçado
Apesar do otimismo econômico, a expansão de data centers carrega um desafio ambiental relevante que não pode ser ignorado. Data centers são grandes consumidores de energia elétrica e água, especialmente para refrigeração de servidores.
A IA amplifica esse consumo: modelos de linguagem de grande escala exigem processamento intensivo, elevando drasticamente a demanda energética por operação. A projeção global é que a IA responda por 50% da capacidade de data centers até 2030, ante 25% em 2025.
Para que o Brasil se consolide como hub sustentável, e não apenas um hub energético intensivo, será necessário avançar em:
- Eficiência hídrica (WUE): monitorar e reduzir o consumo de água por unidade de energia processada;
- Eficiência energética (PUE): otimizar a relação entre energia consumida pelos servidores e a energia total do data center;
- Energia 100% renovável: garantir que a expansão seja alimentada por fontes limpas, e não apenas pela média da matriz;
- Relatórios de sustentabilidade: o próprio REDATA, projeto de lei em tramitação no Congresso, já prevê a obrigatoriedade de publicação desses relatórios como condição para acesso a benefícios fiscais.
Onde dados de sustentabilidade entram nessa equação
Um data center que consome energia renovável, monitora eficiência hídrica e publica relatórios de impacto ambiental não está apenas cumprindo regulação, está construindo um ativo de reputação e competitividade para atrair os maiores hyperscalers do mundo, que exigem esses dados de seus parceiros e fornecedores.
É aqui que plataformas como a SustenData se tornam estratégicas: ao apoiar a organização, monitoramento e comunicação de dados de sustentabilidade, contribuem para que empresas do setor de tecnologia demonstrem, de forma estruturada e confiável, o impacto ambiental de suas operações.
No mercado global de data centers, quem tem os dados de sustentabilidade bem organizados atrai mais investimento. Simples assim.
🔗 Acompanhe o blog da SustenData para mais análises sobre dados, tecnologia e sustentabilidade.



