Vestas Anuncia 1,1 GW e 10 Mil Empregos no Nordeste: A Energia Eólica Volta com Tudo

Após três anos de desaceleração, o setor eólico brasileiro dá um sinal claro de retomada. Em apenas 100 dias, a Vestas, maior fabricante de turbinas eólicas do mundo, fechou dois acordos que somam 1,1 GW de novos projetos no Nordeste, gerando cerca de 10 mil empregos diretos durante a fase de construção. A notícia reacende o otimismo para uma indústria que foi construída ao longo de mais de 20 anos no Brasil e que, agora, encontra novos e robustos vetores de crescimento.

Os Dois Acordos que Marcam a Retomada

1. Esquina do Vento, Equinor/Rio Energy (230 MW, Rio Grande do Norte)

Em março de 2026, a Rio Energy, subsidiária brasileira da norueguesa Equinor, uma das maiores referências mundiais em transição energética, adquiriu o projeto Esquina do Vento, totalmente desenvolvido pela Vestas Development nos municípios de Touros e Pureza, no Rio Grande do Norte.

Este é o primeiro negócio entre Equinor/Rio Energy e Vestas no Brasil e também o primeiro projeto da Vestas Development no país a atingir o estágio Ready-to-Build, ou seja, totalmente pronto para construção, sem pendências regulatórias ou de desenvolvimento.

Os números do projeto:

  • 51 turbinas do modelo V163-4.5 MW, da plataforma de 4 MW da Vestas, com mais de 22 mil unidades instaladas em 88 países, totalizando 84 GW globalmente
  • Capacidade instalada de 230 MW
  • Geração anual estimada de 1 TWh, suficiente para abastecer aproximadamente 520 mil residências
  • Instalação prevista entre março e dezembro de 2027, com operação a partir de 2028
  • Contrato de operação e manutenção de 30 anos firmado com a Vestas
  • Geração de mais de 4.000 empregos diretos durante a construção

“O parque eólico Esquina do Vento envia um sinal claro de confiança no mercado eólico brasileiro e marca mais um passo na recuperação do setor”, afirmou Eduardo Ricotta, CEO da Vestas LATAM.

“Nossa missão é expandir o pipeline disponível para investidores. Esquina do Vento é o primeiro projeto a alcançar o estágio Ready-to-Build no Brasil”, complementou Frédéric Guillaume, da Vestas Development para a América Latina.

2. Complexo Dom Inocêncio, Casa dos Ventos (828 MW, Piauí)

Em dezembro de 2025, a brasileira Casa dos Ventos fechou com a Vestas o maior contrato eólico no Brasil desde 2023: um acordo superior a R$ 5 bilhões para fornecimento de 184 turbinas V150-4.5 MW, totalizando 828 MW de capacidade instalada.

O complexo será instalado nos municípios de Dom Inocêncio, Lagoa do Barro e Queimada Nova, no centro-sul do Piauí, com construção iniciando em 2026 e operação prevista para 2028.

Dois destaques estratégicos relevantes:

  • Grande parte da energia do complexo já está contratada para data centers, incluindo projetos no Ceará, como o do TikTok, reforçando a conexão direta entre energia eólica e a explosão da infraestrutura digital no Nordeste
  • As 184 turbinas serão fabricadas em Aquiraz, no Ceará, pela empresa Aeris, fortalecendo a cadeia industrial renovável dentro do próprio Nordeste

Um Setor que Estava Quebrado, e Por quê

O CEO da Vestas LATAM foi direto ao avaliar o contexto: a CNN Brasil destacou que o setor estava quebrado, com dificuldades sérias para a implantação de novos parques. A GE chegou a se retirar do mercado brasileiro, e empresas como Siemens Gamesa e Veg paralisaram suas unidades no país.

Eduardo Ricota explicou os dois fatores que travaram os investimentos:

Queda no preço da energia: a partir de 2022, chuvas acima da média elevaram os reservatórios hidrelétricos, derrubando o preço da energia no mercado livre e reduzindo o interesse por novos projetos renováveis.

Curtailment elevado: o crescimento acelerado da geração solar resultou em excesso de oferta em determinados horários, forçando o corte de geração de parques eólicos e solares. Quando investidores percebem que a energia gerada pode ser cortada, o incentivo para novos projetos cai junto.

“A gente continua ainda com curtailment um pouco alto, menos em eólica do que solar, mas é uma preocupação que a gente tem no momento”, afirmou Ricota.

O Que Está Impulsionando a Retomada Agora

Três grandes vetores reaquecem a demanda por energia eólica:

Data Centers e Inteligência Artificial: 60% de todo o processamento global está nos EUA. Com a explosão da IA, a demanda por data centers cresce em escala, e o Brasil, com energia renovável abundante e barata, torna-se destino estratégico. O complexo Dom Inocêncio já nasce parcialmente contratado para esse fim.

Eletrificação acelerada: a expansão de veículos elétricos e a eletrificação de processos industriais antes movidos a combustíveis fósseis criam nova demanda contínua por energia limpa.

Descarbonização da indústria: projetos de mineração e indústrias com caldeiras a carvão ou óleo estão migrando em massa para energia renovável, abrindo oportunidades crescentes para o setor eólico.

Empregos, Comunidade e Inclusão

Os dois projetos combinados devem gerar cerca de 10.000 empregos diretos durante a construção e aproximadamente 500 postos permanentes de operação e manutenção por 20 a 30 anos após a conclusão.

A Vestas reforçou seu compromisso com as comunidades locais: parceria com o SENAI para capacitação de jovens de 18 a 24 anos e esforço crescente para ampliar a participação feminina no setor técnico, historicamente concentrado em homens.

“A gente precisa desenvolver a comunidade local porque a gente fica por 30 anos. É importante ter esse desenvolvimento”, afirmou Ricota.

O Papel dos Dados Nessa Retomada

Projetos dessa escala, com impactos em geração de empregos, emissões evitadas, consumo de água, uso do solo e desenvolvimento comunitário, exigem muito mais do que boas intenções. Exigem dados estruturados, monitoramento contínuo e transparência para investidores, reguladores e comunidades.

É nesse contexto que plataformas como a SustenData se tornam ferramentas estratégicas: fornecendo dados que ajudam empresas a tomar decisões mais fundamentadas e a identificar as melhores oportunidades de investimento no setor de forma confiável e orientada a impacto real.

O Nordeste está de volta ao centro da transição energética brasileira, e os números de 1,1 GW não deixam dúvida sobre isso.

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