O Brasil encerrou 2024 com 88,2% de sua matriz elétrica composta por fontes renováveis, segundo o Balanço Energético Nacional 2025 da EPE, e projeta chegar a 95% até o final de 2026. Nesse cenário, o Nordeste não é apenas participante, é protagonista absoluto da transformação energética do país.
O Nordeste como maior polo renovável do Brasil
Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmam: o Nordeste respondeu por 68% de toda a nova capacidade instalada de geração no Brasil em 2024, com 91% dessa expansão proveniente de fontes eólica e solar. A região concentra 85% de todos os parques eólicos brasileiros e segue batendo recordes.
Os estados que lideram esse movimento são expressivos:
- Bahia ocupa o 1º lugar nacional com 46,4 GW outorgados em 1.176 empreendimentos;
- Rio Grande do Norte foi o estado que mais expandiu capacidade energética no país no 1º bimestre de 2026, com 98% da eletricidade produzida de origem sustentável;
- Ceará se consolida como hub estratégico de energia e tecnologia, sendo a segunda cidade mais conectada do mundo, com 18 cabos de fibra óptica chegando ao litoral.
A meta é clara: até 2027, o Nordeste deve se consolidar como o maior produtor de energia do país, segundo Ricardo Cavalcante, presidente da FIEC, em palestra na Feira da Indústria 2026 em Fortaleza.
Transição energética vai além da geração de energia
A transformação em curso no Nordeste não é apenas sobre megawatts instalados. É sobre um novo modelo de desenvolvimento que combina:
- Hidrogênio verde: a região já figura nas projeções globais como um dos maiores potenciais produtores mundiais, aproveitando o excesso de geração renovável;
- Data centers: a combinação de energia renovável abundante e infraestrutura digital de ponta torna o Nordeste, especialmente o Ceará, destino estratégico para instalação de data centers de alta capacidade;
- Geração de empregos: só no Rio Grande do Norte, mais de 13 mil empregos foram criados no setor de energias renováveis em 2024.
O setor energético já responde por cerca de 30% do PIB do Ceará e gera mais de 110 mil empregos no estado.
O desafio que ainda precisa ser superado
Apesar dos avanços impressionantes, a transição energética no Nordeste enfrenta um gargalo relevante: falhas na rede elétrica de transmissão que dificultam o pleno aproveitamento da energia gerada. O Rio Grande do Norte, por exemplo, chegou a bater recordes de “desperdício” de energia renovável por falta de capacidade de escoamento.
Isso reforça que crescer em geração não é suficiente. É preciso também:
- Expandir e modernizar a infraestrutura de transmissão;
- Desenvolver soluções de armazenamento de energia em escala;
- Garantir que os benefícios da transição cheguem de forma justa e inclusiva às populações locais.
Por que dados são essenciais nessa transição
Uma transição energética robusta e justa exige, antes de tudo, informação de qualidade. Monitorar indicadores de geração, consumo, emissões evitadas, empregos gerados e impactos socioambientais é o que permite a governos, empresas e investidores tomarem decisões mais fundamentadas.
É nesse ponto que plataformas como a SustenData se tornam relevantes: ao apoiar a organização e análise de dados de sustentabilidade, contribuem para que a transição energética não seja apenas um fenômeno físico de geração de megawatts, mas um processo estratégico, mensurável e alinhado a metas de impacto real.
A pergunta que fica não é mais se o Nordeste vai liderar a energia limpa no Brasil. É como vamos medir, comunicar e aprofundar esse protagonismo.
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